A defesa foi em agosto, mas o canudo mesmo só saiu em novembro.
Noves fora o trabalhão insano que é fazer uma coisa dessas, o que fica é uma sensação de trabalho cumprido; não por ter entregue a tese, mas por ter conseguido atingir o objetivo de um doutorado: desenvolver a capacidade de fazer suas próprias perguntas.
Ainda me admiro de ter conseguido isso. Me lembro que quando eu terminei o mestrado e entrei no programa de doutorado (em 2006), tinha muito receio de terminar o curso e não conseguir trabalhar sozinha. Isso se explica: o meu mestrado só foi bacana por causa do meu orientador, [o grande] Dr. Fernando Gonçalves Amaral, que sempre criticava as coisas que eu escrevia, e do meu co-orientador, o [também grande] Dr. Agostinho Serrano, que na real “bolou” toda a pesquisa. No final, a dissertação foi aprovada com estrelinhas, afinal cumpria o requisito de um mestrado.
Alias, foi do Fernando que eu tirei essa idéia: que o requisito de um mestrado é apenas te preparar para o doutorado; é um treino, uma iniciação ao método científico. Sendo assim, fazer mestrado sem fazer doutorado é pura perda de tempo.
E lá fui eu me inscrever. O orientador estava decidido, eu já conhecia o grupo com quem eu queria trabalhar. Mas eu já estava atormentada com esse medo: será que um dia eu vou conseguir trabalhar sozinha? Explico: assim como o mestrado, o doutorado tem um objetivo muito simples: capacitar um pesquisador a fazer suas próprias pesquisas. Dotorado não tem muito a ver com “aumentar o conhecimento da humanidade” ou com “ineditismo”. Isso são consequências. O que importa é que, ao final do curso, o doutor seja capaz de fazer pesquisas até o final de sua vida produtiva – sem precisar de apoiar num orientador.
E eu tinha muito medo disso: meu trabalho vinha sendo bom, mas sempre por causa da ajuda de outros… Primeiro o Amaral e o Agostinho, depois o [também grande] Fernando Schnaid. E eu?
Mas no final eu “desencantei”. Foi num momento bem particular: quando eu comecei a ler um livro que o Fernando me emprestou [Cognition in Design Education]. Cara, esse livro mudou tudo, pois foi aí que eu consegui me enxergar como pesquisadora. Sério, eu consegui me ver pesquisando isso durante – sei lá – os próximos 10 anos. A partir disso foi só engatar a quinta seguir em frente.
O resultado está aí. Está bem legal. Estou terminando de escrever o primeiro artigo da tese com o Schnaid, e acho que dá pra emplacar mais outros com tranquilidade. Além disso, consegui uma posição na UFRGS, o que sempre foi minha meta, e vou começar a trabalhar com pesquisa [de verdade!].
Então é isso: demora, mas uma hora dá certo. E se quiser ler a tese, baixa ela no 4share.




December 14th, 2010 at 12:57 pm
Parabéns.
E boas pesquisas.
December 14th, 2010 at 1:28 pm
felicidades.vc chegou lá.!”
December 14th, 2010 at 7:10 pm
Parabens Gabi!
December 16th, 2010 at 5:31 pm
Gabi, você é hoje uma pesquisadora plena, independente, crítica, escrutinando o conhecimento com a atenção e contribuindo para o desenvolvimento da ciência.
Parabéns. Fernando
December 20th, 2010 at 10:45 am
Oras… só me resta te dar felicitações!!! Parabéns, Doutora Gabriela Perry
Abraços!
November 9th, 2011 at 11:00 am
Estava a ler o artigo O desenvolvedor-designer e o design da interação e passei aqui para conhecer um pouco mais da Gabriela Trindade Perry, não conheço você, mas percebo que seu trabalho está bem bacana! Sou entusiasta em usabilidade, mas nem um pouco conhecedor. Estou fazendo Mestrado na Universidade Fumec, e sei o quanto é difícil um título de independência. PARABÉNS!!!